domingo, 30 de julho de 2017

Caldas, Entre Montanhas Um Coração Mineiro

          Hoje a casa acordou cheia de gente, com crianças conversando, não eram as minhas filhas, elas estão viajando, mas são crianças que amo, que permitem que eu faça o papel que eu tanto amo, de tia, afinal meus sobrinhos, Nicholas, Augusto e João, moram alguns kilômetros de distância.

          Depois de dois anos que vim morar nesta cidade, este tamanho de casa faz todo sentido, ela recebe e acolhe amigos, crianças, conhecidos e até desconhecidos.
          Não posso dizer que foram dois anos somente de alegria, aliás, desde o dia em que cheguei na boléia do caminhão com a minha mudança e meu cabelo vermelho feito morango muitas águas rolaram, não foi só o cabelo que mudou, que já foi preto, castanho e agora é loiro, eu também mudei, não sou mais a mesma pessoa.
          Teve muita solidão, lágrimas, arrependimento, mas em nenhum momento eu deixei de contemplar as cores lindas desta cidade, aliás, cada dia mais tenho certeza que me mudei para cá por enxergar toda esta aquarela que representa Caldas.
          Tiveram também alegrias, muitas! Crescimento, reencontros, amores.
          Parece que julho, inconscientemente, é o mês escolhido para as minhas maiores mudanças, também há 10 anos eu me mudava para Salvador, que foi onde eu comecei o blog, então se você for lá no comecinho do blog encontra alguma coisa daquela outra história de amor, aquela que vivi em Salvador, mas, até então, não havia narrado aqui o quanto eu me encantava diariamente com aquelas cores do mar.
Foto de 30 de julho de 2015
          Me lembro da sensação exata quando avistei esta lua maravilhosa no dia em que me mudei, uma sexta-feira, 30 de julho, o quanto fui, e sou, grata a ela estar tão esplendorosa no céu, parei um instante para registrar e agradecer.
Foto de 30 de julho de 2017
          Caldas é uma cidade de encantos, mística, com cachoeiras e águas que possuem o dom de curar.
          Aqui a expansão espiritual também é maior, mais visível, entre estas montanhas o aconchego também é mais afável e os amigos daqui tenho certeza que são presentes dados a mim para que eu possa continuar nesta caminhada chamada vida, continuar com mais fé e mais fortalecida.
          Hoje quis subir até a praça para reproduzir a foto de dois anos atrás, a lua está crescente e não atrás da igreja, mas ainda sim as cores estão encantadoras.
          Se eu pudesse reproduzir o que exatamente minhas retinas veem eu faria, mas como não é possível registro através de lentes, procurando a maior fidelidade possível com as formas e cores para que os encantos estendam-se.
          Hoje minhas preces são de agradecimento.
Perspectiva da lua no fim da tarde em relação à Matriz em 30 de julho de 2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

3.5

Óia eu aqui de novo!
Este é o lugar pra onde eu sempre volto, entra rede social, vai rede social, entra idade, vai idade...
E como vai a idade né? 3.5 :o
Deu medo, confesso, mas teve gente em casa, teve ligação, teve felicitações, teve presente, tiveram filhas e dormi sem medo.
Acontece que o medo é diário, o medo de dar conta da vida e a sensação que tinha que rebobinar só um pouquinho, um dia ou dois, mas daí passo duas horas pensando como faria e...ufa! Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!
Avante!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Caldas em Cores

     A cor,
     O ritmo,
     O som,
     O cheiro.
    
     O que me encanta não é descritível, é sentido.
     As serras que abraçam,
     O ar que tem outra densidade,
     O vento que sobe as ruas em alta velocidade enquanto acaricia os cabelos.
     
     Apenas sinto,
     Nestas breve linhas tento explicar,
     Os sentidos afloram, as palavras ecoam,
     Escorrem.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Mineiragens

     O mineiro e a sua capacidade de formular uma frase com apenas vogais:
     - É uai. Ô!
     E a sua variação:
     - Ô! É uai.

Sem rede social, e agora?

     E hoje cancelei minhas redes sociais, sei lá por quanto tempo, sem prazos e estimativas.
     Mandei mensagem para algumas pessoas avisando, para aquelas que não vou encontrar pessoalmente nos próximos dias, sobretudo. Não sei se todos receberam a mensagem, estava no anseio de cancelar logo tudo.
     Passei uns dias longe de redes e fiquei em paz, mas pensando em quem poderia ter mandado mensagem, ao chegar em casa li e senti uma coisa estranha, então resolvi dar vazão ao que eu estava sentindo, de me desvincular do que não é tão real assim.
     Basicamente a mensagem dizia que eu resolvi modernizar e cancelar facebook e whatsapp, que para me encontrar a pessoa poderia me ligar, mandar um e-mail, visitar meu blog, mandar uma carta ou ainda aparecer para um café com bolo, com recomendações de se vier de longe avisar com certa antecedência para que eu não fosse a venda na hora da chegada da visita.
     E agora, José? Sem rede social...Falar que foi simples, simples, foi não, mas foi mais leve, peguei o celular para olhar, daí coloquei música, mas meu dia rendeu mais.
     Cansei de curtidas e mensagens cheias de nada, claro que querem dizer: Olha pensei em vc, etc, mas cansei, me ligue, comente meu blog, participe da minha vida. Ou não.
     Estou indo no caminho de encontro a mim mesmo faz algum tempo, tenho ido em busca de mim, e sei que não estou muito além, mas a questão é que rolar a página do facebook inconsciente e ler mensagens passadas a rodo no whatsapp me distrai e me leva para longe de mim, para um mundo externo e não é assim que eu imagino o meu reencontro.
      Sinto falta de escrever, os dias que estive longe da internet minha mente fervilhou. Espero que agora eu coloque mais no papel, mas tb não espero muita coisa, não cancelei redes com grandes objetivos, na verdade é só uma experimentação, ver como me sinto na contra-mão do fluxo ter, amigos, curtidas, contatos, amei, correntes e afins, quero ser, ser eu, Carolina, simples assim.
     Prazer!
     Apareça.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sendo Amor

Ah este amor silêncio cheio de rótulos e censuras.
Apenas sinto, não preciso de definições e explicações.
Pare de silenciar e sinta, ou não, mas seja o que é.

Desprenda-se de amarras e dores.
Não há medo de errar.
Perca o medo de acertar.

Adiante!
Sinta,
Ou não.
Mas seja,
Não silencie.
Não rotule.
Seja!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

34

     Passou, tudo que era já foi, e está decretado que nenhuma dor ficou, nenhuma perda prevaleceu.
     Um lindo dia de sol encomendado nestes dias chuvosos, que levaram as mágoas e secou as feridas.
     Grata por este dias, gratidão por tanto amor, pelo amor próprio, pelos amigos (inclui filhas e família).
     Sinto-me novamente emocionalmente disponível. Disponível pra mim, para as minhas filhas, para os amigos, para um novo amor.
     Sinto fluir.
     Tudo flui como água.
     A Doce Vida segue adiante firmando, fortalecendo, amando, adoçando e dando a medida. Nada a mais, nem a menos, equilibrando.
     Sigo adiante, leve, e no mais que o vento leve.
     Recomeço todos os dias, todos os anos, toda celebração de aniversário.           Recomeçarei cada dia que for preciso, de hoje em diante, Sempre.


Recomeço
Flávia Wenceslau

Vou cantar meus sonhos
Pra desfazer o pranto
Do que não valeu
A partir desse instante
Vou olhar a vida
Como uma despedida
Pra uma festa maior
Vou desatar o nó
Das lembranças perdidas
Da tristeza contida
De um sofrimento a sós

Eu vou recomeçar
Como se hoje fosse
O primeiro dia do mundo
Não me machucar
Nem perder a hora
De saber o que será

Vou receber os dias
Como pedras raras
Que o vento escondeu
Vou te olhar nos olhos
Não se pede desculpas
Pelo que não foi dito
Pelo que não doeu
E na casa do tempo
Vou refazer a história
Respeitando a glória
De quem já sofreu
E tudo é bem menor
Que a verdade clara
Deste sentimento
Aclamar
Que a vida é um bem maior
Seu silêncio cala toda dor que há

E tudo é bem menor
Que a verdade clara
Deste sentimento
Aclamar
Que a vida é um bem maior
Seu silêncio cala toda dor que há

Eu vou recomeçar
Como se hoje fosse
O primeiro dia do mundo
Não me machucar
Nem perder a hora
De saber o que será

sexta-feira, 27 de maio de 2016

#CARTAPARABEATRIZ

     Oi Beatriz,
     Eu geralmente não quero ser mais uma na multidão, mas neste caso somos todas uma.
     Não só você foi abusada, fomos todas nós junto de você.
     O seu caso não foi único naquele dia, infelizmente no mesmo dia houve outro estupro coletivo, que não houve tanta repercussão, porquê era no nordeste, negra, mas isso não faz de você melhor, nem pior. Não é culpa sua você ter sido violentada, e nem de outras terem sido violentadas.
     A culpa nunca é da vítima.
     Gostaria de falar que esta dor vai passar, mas sabemos que não, no máximo ameniza as lembranças.
     Somos em milhares com você, emanando boas energias, que é o que podemos fazer neste momento.
     Gostaria de dar-lhe um abraço coletivo, de chorar junto pegando na sua mão, mas o choro entalou, não desceu.
     Muitas pessoas se conscientizaram da importância do feminismo através da sua dor, e sei que isso também não consola, não conforta, mas eu queria te dizer.
     Não existe conforto nesta hora, eu sei, você ainda é uma menina de 16 anos e terá que lidar com muito homens fazendo piadinhas e a encarando, a maioria nem terá ciência que você é a moça das notícias atuais, mas também para a maioria isto ainda não faz diferença.
     Desencadeou um movimento através da sua história, sei também que isso não enxuga seu pranto, mas que quis lhe contar.
     Contar que estamos aqui fazendo nossas preces por vc, cada uma com a sua crença, mas todas querendo abraçar-lhe, querendo que vc sinta nosso amor.
     Não queremos enxugar seu pranto, pelo contrário, desejamos que seu pranto escorra e coloque para fora tudo que puder de dor, li dia destes que choro é dor líquida, dor parada vira tumor.
     Mana, estamos aqui, a seu lado. Gritando e chorando as suas dores, que também são nossas.
     Sei que nada disso traz conformação, mas eu quis te escrever e dizer que somos milhões em uma <3 .="" br="">

quarta-feira, 30 de março de 2016

Configuração de um Crime

     O que configura um crime no nosso País?
     A impressão que eu tenho é que ser a minoria (ou melhor, a maioria com minoria de direitos) configura um crime.
     E nem estou falando agora de política, nem da Comissão de Impeachment que será julgado por Eduardo Cunha.

     Em 9 de dezembro de 2015 um homem, da área nobre de Brasília, foi preso após a Polícia Civil receber vídeo dele molestando uma criança, parente dele, após algumas horas foi solto ao pagar fiança de R$ 10.000,00. Responde em liberdade, pois não é um crime hediondo.
     Em 22 de março deste ano uma jovem foi assediada no metrô durante 9 estações e ouviu do segurança que a culpa era dela, pois estava usando vestido logo cedo.
     No mesmo dia um homem me seguiu na cidade, dando pelo menos 10 voltas ao redor da praça da cidade enquanto eu tentava me esquivar dele onde o movimento estava maior, depois de mais de uma semana que eu tento pegar meu B.O. hoje fui informada pela Polícia Militar da cidade de Caldas que não configura em crime, afinal ele não fez nada, estava apenas "passeando".

      E assim caminhamos com Boletins de Ocorrências sendo negado o registro, afinal eu fui esperta suficiente para o cara não me estuprar, caso fosse a intenção dele, a moça do metrô estava de vestido de manhã e a pobre coitada da criança, era só uma criança e não foi flagrante.
     O que temos em comum neste cenário todo? (E agora eu incluo um impeachment que não tem embasamento jurídico), todos contra mulheres, todos afrontam o sexo forte e dominante, enquanto ignoram as estatísticas e deixam soltos os caras por não configurar crime.
     Para que se saiba: A cada 5 minutos uma mulher é agredida no Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil e a cada 15 minutos uma mulher é morta no Brasil por alguém conhecido.
     Então deixo aqui um ponto para reflexão: Será que as estatísticas diminuiriam caso os Boletins de Ocorrência fossem realmente levados a sério e os oprimidos não fossem visto como opressores pelo simples fato de não ter ficado de boca calada?